NESTA EDIÇÃO
Novas opções de comunicação livre;
Loures e Açores contra a autoconstrução;
Recortes de imprensa;
Ligações úteis;
Onde vamos estar;
Parcerias institucionais;
Ficha técnica.
O BitChat de Jack Dorsey é útil?
Num mundo cada vez mais dependente de redes centralizadas, a possibilidade de comunicar sem necessidade de Wi-Fi ou rede de telemóvel representa um avanço estratégico para qualquer pessoa preocupada com autonomia, resiliência ou preparação para colapsos temporários ou prolongados. Aplicações como a Bridgefy, Briar ou Meshtastic permitem criar redes de comunicação local entre dispositivos, recorrendo a tecnologias como Bluetooth, LoRa ou conexões ponto-a-ponto, abrindo a porta a formas de contacto em situações de apagão digital, desastres naturais ou repressão estatal.
Uma das propostas mais recentes e promissoras nesta linha é a Bitkey Chat, associada à Bitkey, desenvolvida pela empresa Block, fundada por Jack Dorsey, o criador do Twitter. Embora inicialmente pensada para gestão de Bitcoin, esta aplicação propõe também um sistema de mensagens ponto-a-ponto encriptadas, sem necessidade de servidor central, internet ou rede móvel, utilizando canais como Bluetooth e Wi-Fi local. A visão por trás do projecto vai além da criptomoeda — pretende reforçar a soberania digital, permitindo que qualquer pessoa comunique fora da vigilância de Estados e empresas. Para os sobrevivencialistas, este tipo de ferramenta oferece um novo grau de liberdade: comunicação cifrada, em tempo real, sem deixar rasto, ideal para situações de repressão, blackout tecnológico ou mera vida fora da rede.
Para os sobrevivencialistas, este tipo de sistemas é particularmente valioso. Em caso de interrupção de redes móveis, apagões prolongados, censura governamental ou mesmo em zonas remotas onde o sinal não chega, a capacidade de enviar mensagens, partilhar coordenadas ou organizar actividades colectivas sem depender de terceiros torna-se um trunfo fundamental. Imagine-se uma eco-aldeia ou um acampamento descentralizado — com estas ferramentas, é possível manter uma comunicação interna funcional, mesmo em isolamento quase total.
Contudo, nem tudo são vantagens. A maior parte destas aplicações tem alcance limitado (Bluetooth ronda os 100 metros, LoRa pode ir mais longe mas exige equipamentos específicos) e não substitui redes móveis ou rádios de onda curta. Além disso, a segurança pode variar — algumas apps garantem encriptação de ponta-a-ponta (como a Briar), mas outras, como a Bridgefy, já foram alvo de crítica pela sua vulnerabilidade. A eficácia depende também da densidade de utilizadores na área, o que torna a sua adopção em massa um desafio.
Por outro lado, estas aplicações reforçam uma cultura de descentralização digital: aprender a trocar mensagens sem pedir licença a um servidor, a não depender de sinal ou torre, a comunicar mesmo em colapso. A utilização combinada com rádios amadores, lanternas com carregamento manual, baterias externas e dispositivos low-tech pode formar a base de uma rede de resiliência comunitária, mesmo em caso de falência sistémica. Mais do que apps, são ferramentas de liberdade.
Em suma, estas plataformas representam mais uma arma importante no arsenal de qualquer sobrevivencialista consciente. Podem não ser perfeitas ou universais, mas oferecem uma via concreta para manter o elo humano e informativo mesmo quando tudo falha. Se a tua preparação inclui água, comida, abrigo e defesa… talvez esteja na hora de incluir também comunicação autónoma.
O sistema não nos quer livres de hipotecas
Qualquer pessoa ligada aos movimentos de regresso à terra, off grid e sobrevivencialismo está ciente de que as câmaras de Portugal adoram demolir e proibir a construção de casas até nos terrenos que pertencem às pessoas, imaginem em terras públicas, daí não estarmos surpresos nem com a GNR que abriu processos contra de 38 contra-ordenações nas ilhas açorianas de São Miguel, São Jorge, Pico e Faial por terem adaptado as suas carrinhas em habitações [notícia enviesada no Observador] nem com a demolição de barracas em Loures [está nos telejornais todos, mas os nossos leitores brasileiros e a residir no estrangeiro podem ser sobre isso na AbrilAbril].
Estamos a viver numa autêntica economia de guerra, como já assumiu veladamente o primeiro-ministro [Observador], em que há cada vez mais famílias a viver em parques de campismo, em autocaravanas ou em tendas junto à praia [Correio da Manhã], pessoas que têm trabalho mas não conseguem pagar rendas, há quem esteja a endividar-se [Jornal de Notícias] e a gastar as economias todas só para conseguirem pagar as contas e comer na segunda metade do mês.
As pessoas comuns nem fazem ideias de em quantas guerras Portugal está envolvido a reboque dos seus compromissos para com a NATO e os Estados Unidos, é coisa que não passa nas notícias, isso não só debilita a nossa economia como nos torna um alvo fácil para Rússia, Irão ou o quer que seja. Ou acham que a comida aumenta de preço a cada três meses e temos inflação por milagre? Não, é economia de guerra não assumida!
O sistema odeia alternativas a uma pessoa endividar-se até aos 76 anos para ser escravo dos bancos e refém das empresas, o sistema não nos quer livres, dívida é esclavagismo e o sistema não se aguenta sem nos ter reduzidos ao esclavagismo assalariado, daí a hostilidade às casas de madeira, a burrocracia de licenciamentos, o ódio a sermos donos do que é nosso e da nossa vida, como tem sentido na pele todo aquele que ousou comprar um terreno, tentar construir uma habitação e viver sem dívidas do que retira da terra.
É por isso que editamos obras como Três Hectares de Liberdade de Bolton Hall, Refúgio de Sobrevivência de Ragnar Benson ou o Abrigos, Cabanas e Barracões de Daniel Carter Beard, um dos três pais fundadores dos escuteiros. Sugerimos é que construam as vossas habitações bem longe de Loures e outros centros urbanos.
Estamos quase todos a meros dois ou três ordenados falhados de nos tornarmos sem-abrigo, é para isso que nos preparamos com reservas alimentares e tentamos mudar-nos para o campo, o mais remotamente possível das guardas do sistema e dos vizinhos chibos que não têm coragem para se libertar e odeiam todos aqueles que lhes recordem que é possível viver de outra maneira que não a contar tostões e com medo do patrão se irritar.
RECORTES DE IMPRENSA
📸 Vigilância urbana com IA: análise de vídeo expande-se
Um estudo da Nature revela que 90 % da investigação em visão computacional se destina a vigilância de pessoas – câmaras intrusivas, reconhecimento facial, análise de comportamento em tempo real — tecnologias que alimentam o expansão das forças de segurança. Fonte: Nature
🔰 1. GNR reforça patrulhamento nas zonas rurais (Operação Campo Seguro 2025)
🛡️ A Guarda Nacional Republicana arrancou com uma operação prolongada até Fevereiro de 2026, que alegadamente reforça o patrulhamento em áreas agrícolas e florestais para prevenir roubos, tráfico de pessoas e acidentes, contudo como denunciamos acima também serve para ver se pessoas como nós andam a viver sem licenciamento e sem hipotecas no interior do país. Fonte: GNR.pt
📡 Polícias irlandesas com acesso às tuas mensagens encriptadas
A Garda irlandesa, forças militares e outras entidades prepararão leis para poder interceder conversas em apps criptografadas — WhatsApp, iMessage, Instagram, e até comunicações via carros inteligentes ou jogos de computador. Fonte: The Times
🚱 Secura no sudeste da Europa — vacas morrem de sede
Na Sérvia, uma seca que começou em maio já deixou mais de mil bovinos sem água nas montanhas de Suva Planina. As nascentes secaram mais cedo do que o habitual, obrigando as autoridades a enviar caminhões de água urgentes. A falta de sistemas de irrigação mínimos agrava o impacto, com comunidades rurais à beira do colapso agrícola. Fonte: AP News
🤖 Reconhecimento facial no Carnaval de Notting Hill
Pela primeira vez, a polícia de Londres irá usar câmeras de reconhecimento facial em larga escala durante o festival de Notting Hill. O sistema visa identificar pessoas com antecedentes criminais em tempo real, apesar de debates sobre viés e erros. Fonte: The Times
LIGAÇÃO ÚTIL DA SEMANA
📦 Indumel – Embalagens industriais com utilidade para preppers
A Indumel é uma empresa portuguesa especializada no desenvolvimento, produção e comercialização de embalagens industriais em polietileno de alta densidade (HDPE) e outros materiais plásticos. Com sede em Águeda, destaca-se pela sua capacidade de fabricar embalagens técnicas e personalizadas, com diversas aplicações em sectores como a química, agro-alimentar, farmacêutica e industrial.
Já falamos desta empresa no nosso Instagram há alguns anos, e alguns camaradas preppers pediram-nos o contacto pois em vez de andarem a esvaziar garrafas de refrigerantes para armazenarem grãos e farinhas, podem comprar a preços bem baratos e por atacado desde garrafinhas a garrafões PET virgens ou até de vidro e garrafas para embalar o vosso azeite, vinho, licores, água de nascente ou o que mais quiserem directamente da fonte, consultem a loja online: indumel.pt, Rua Pinhal de Cascais Nº 1, 2560-112 Ponte do Rol (vão pela A8).
Onde vamos estar?
Já podemos confirmar que estaremos na Festa do Livro Independente da Freguesia de Arroios (Lisboa) de 12 a 14 de Setembro, na Fatela Sónica (Fundão) de 26 a 28 de Setembro, onde teremos licores de produção caseira e carne seca para venda, além dos livros e, finalmente, na Militaris (Caldas da Rainha) a 4 e 5 de Outubro. Reservem é os livros que quiserem pelo menos 15 dias antes (com pagamento antecipado), pois agora só imprimimos uns 3 exemplares de cada e em capa dura, todos finórios, para os eventos e vendem-se num instante.
Parceiros institucionais
Portugal Preppers Network e Grupo Nacional de Preparação e Autossuficiência.
Ficha técnica
Sugestões e textos da autoria de Flávio Gonçalves e João Pedro Cordeiro. Todo o hate mail deve ser dirigido ao prontidaoesobrevivencia@gmail.com e as cartas bomba para Flávio Gonçalves, Apartado 6019, EC Bairro Novo, 2701-801 Amadora. Siga-nos no Youtube, Instagram e Facebook (actualizado quase diariamente).
Recordamos que até final do ano temos mais 7 livros para lançar e a maior pechincha de todas é subscreverem o nosso Patreon.